Não Aceitemos uma Única História

Chimamanda_Adichie
H
á poucos dias um novo amigo me mostrou um vídeo sobre Chimamanda Adichie, uma escritora nigeriana que falava para uma palestra sobre o efeito negativo de nos atermos a ÚMA ÚNICA HISTÓRIA, seja sobre uma pessoa, um país ou um continente.
Isso me fez refletir um pouco sobre mim, sobre as histórias em torno da cidade onde vivo, da minha classificação étnica, de minha orientação sexual, do meu país.

O engraçado é que basta analisar um pouco nossas colocações e perceberemos como estamos imersos em tantas ÚNICAS HISTÓRIAS…. tantos estereótipos sobre todas as coisas em que não falam de nós, claro. Nunca fazemos parte da ÚNICA HISTÓRIA que contamos. Mas não fugimos das ÚNICAS HISTÓRIAS em que somos personagens. Estamos cheios de “únicas histórias” em forma de conceitos ou pré-conceitos. Penso que muitas delas nem são verbalizadas, mas estão ali, latente em nossa cabeça. Arrisco citar algumas:
“baiano é preguiçoso”, “todo gay é promíscuo”, “preto é pobre”, “pessoas agitadas são mais capazes e produtivas que pessoas calmas”, “ter uma atitude calma é ser lerdo”. Isso é apenas um  pouco do que me faz lembrar. Mas há tantas outras.

O problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história tornarem-se UMA ÚNICA HISTÓRIA. (…)
Claro que a África é um continente repleto de catástrofes, como as terríveis violações no Congo e as depressivas como 5 mil pessoas candidatarem-se a uma única vaga de emprego na Nigéria. Mas há outras histórias que não são sobre catástrofes e é igualmente importante falar sobre elas. A consequência de UMA ÚNICA HISTÓRIA é essa: ela rouba das pessoas sua dignidade. Faz o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada difícil. Enfatiza como somos diferentes ao invés de como somos semelhantes. (…)
Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias podem reparar essa dignidade perdida(…)” Chimamanda Adichie

Adichie, de uma forma simples e objetiva, fala sobre o continente Africano, sobre sua vida como uma menina nigeriana e uma romancista que se viu fora da UMA ÚNICA HISTÓRIA em diversos sentidos e de coo é importante se contar OUTRAS HISTÓRIAS. É um verdadeiro e importante exercício, contar e tentar descobrir OUTRAS HISTÓRIAS sobre os outros, sobre outros povos, e sobre nós mesmos.

Wilton Bernardo
artista plástico, designer gráfico
# http://www.wiltonbernardo.com

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