Coletivo de Entidades Negras (CEN) ajuda homem que morava clandestinamente em aeroporto

Marcos Rezende (coordenador do CEN com Gelson Silva (Foto de Fernando Amorim - Ag. A Tarde)

Há dois meses “morando” clandestinamente no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, Gelson Ferreira da Silva, 46 anos, não esperava que uma matéria veiculada no Portal A TARDE Online, na última quinta-feira, 12, fosse lhe render benefícios de forma tão imediata.

A história do montador de móveis que saiu de Campinas, em São Paulo, iludido por uma falsa promessa de emprego na Bahia, sensibilizou diversos integrantes da sociedade civil e de organizações não-governamentais, gerando uma verdadeira corrente de solidariedade.

Logo à tarde, o trabalhador já tinha em mãos uma passagem de avião, para retornar à sua cidade natal, além de um quarto confortável, na casa de um cidadão soteropolitano, onde aguardará o dia da sua viagem, na próxima sexta-feira, 20.

“Eu já tinha perdido as esperanças de que esse dia fosse chegar”, admitiu aliviado o montador de móveis, ao ser encontrado pela equipe de reportagem de A TARDE, acompanhado de pessoas solidárias, na tarde desta sexta-feira, 13.

Ajuda – A passagem de avião, marcada para a próxima sexta-feira, 20, foi cedida pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), entidade não-governamental ligada a Organização Nacional do Movimento Negro. “Embora trabalhemos com políticas sociais de promoção e respeito, também atuamos na base, nos problemas diários enfrentados pela população negra no Brasil. A história deste homem é característica do sofrimento de muitos negros que, por falta de opção de emprego e educação, acabam saindo de suas cidades e sendo explorados e enganados em outras regiões”, disse o coordenador do CEN na Bahia, Marcos Rezende, nesta quinta.

Para que Gelson aguarde a data da viagem de forma confortável, o técnico em informática Augusto Mello, 43 anos, morador do bairro de Nazaré, ofereceu um quarto de sua própria casa, gratuitamente. “Como não assisto televisão, sempre acompanho o noticiário online. Vi a notícia no site do A TARDE, e como moro só, e tenho um quarto vazio em casa, decidi ajudá-lo. Apesar de o Estado não cumprir a sua parte, a minha eu faço com boa vontade”, contou satisfeito, pedindo para não ser fotografado, já que prefere não ser identificado nas ruas por esta ação.

Auxiliando o CEN e Augusto Mello, o grupo de voluntários chamado Servidores do Bem, que oferece ajuda gratuita às pessoas em vulnerabilidade socioeconômica, também ajudaram na compra da passagem e na estadia do montador de móveis, no bairro de Nazaré.

O caso – Gelson Ferreira trabalhava em uma loja de móveis em São Paulo, quando recebeu a proposta do dono do estabelecimento, de prenome Jairo, para trabalhar em um loja com a mesma finalidade, que seria aberta em Salvador.

Deixando esposa e quatro filhos – com idades entre 1 e 11 anos – o montador de móveis ganhou uma passagem aérea para vir a capital baiana. Ao chegar ao Estado foi recebido por um caminhoneiro, que não soube identificar, informando que a loja de móveis não funcionaria por falta de alvará.

Desde então, o trabalhador está no aeroporto de Salvador, onde dorme clandestinamente. Com a ajuda de alguns taxistas, consegue alimentos e dinheiro para revender água no próprio local. “Durmo até as 3h da manhã e, para não ser visto lá dentro, saio e sento neste banco. Há dois meses esta é a minha rotina”, comentou o montador desempregado. Os taxistas da região, que preferiram não ser identificados, confirmaram a história do trabalhador paulista.

Agora, o montador de móveis aguarda ansioso o momento em que poderá rever a mulher e filhos. “Eu sempre tive vontade de conhecer a Bahia. Apesar de todo sofrimento que tive, pode escrever: um dia eu volto, mas em situação muito diferente”, prometeu Gelson.

De acordo com a Superintendente da Infraero em Salvador, José Cassiano Filho, a presença de Gelson foi registrada pela equipe de segurança, mas como o órgão não tem autorização para expulsá-lo ou para ceder-lhe uma passagem, ele estava apenas sendo monitorado. “Eu jamais pediria dinheiro para alguém aqui. Eu não queria que pensassem que eu fosse um marginal, um drogado. No fundo, sabia que encontraria um saída”, desabafou Gelson.

Agora, o trabalhador paulista só quer recomeçar a sua vida e não pretende procurar o patrão que lhe ofereceu uma falsa promessa de emprego. ” Por vergonha, eu não contei nada do que passei à minha família durante as ligações a cobrar que fiz ao nosso vizinho, lá em Campinas. Fui enganado, mas pretendo recomeçar a minha vida”, falou confiante.

Fonte:  Jornal A Tarde

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