Peça “Namíbia não!” de Lázaro Ramos, no Festival de Teatro em Curitiba

Flávio Bauraqui e Aldri Anunciação, vencedor do Prêmio Braskem de Teatro (Melhor Texto), chegam a Curitiba

Na última quarta-feira (04) a peça Namíbia, Não!, que entra em cartaz no Festival de Teatro de Curitiba, neste fim de semana,  ganhou o 4º Prêmio Brasken de Teatro (veja cobertura do iBahia) na categoria Melhor Texto do ano. O autor baiano Aldri Anunciação também foi indicado como Melhor Ator. A peça, dirigida por Lázaro Ramos, já fez cinco temporadas em Salvador, passou pelo Nordeste e Sudeste, e aporta pela primeira vez no sul do país, no teatro Guairinha, nos dias 07 e 08 de abril.
Aldri Anunciação conta que escreveu o texto de forma curiosa. Metade em uma noite e a outra metade em três meses. “O momento mais difícil para mim, ao atuar, foi desprender-me das verdades do outro personagem. Enquanto autor, eu concordava com tudo, mas no palco tenho que me convencer de que o que escrevi para André não faz parte de mim. Isso é difícil, pois todos os personagens são um pedacinho do autor”, acrescenta.

"Namíbia, não!", peça de Lázaro Ramos (Foto de Sora Maia/ Jornal CORREIO)

O autor e ator Aldri Anunciação esteve presente na coletiva sobre o espetáculo e conversou com os jornalistas sobre o viés cômico que decidiu usar para tratar de racismo. “Eu não quis entrar na estrada do rancor para tratar deste assunto. O racismo já é um peso muito grande na sociedade. A comédia está aí justamente para aliviar o tema e atrair as pessoas com o riso”.

Flávio Bauraqui, intérprete de André, se diz “na expectativa para saber a reação do público sulista”. Bauraqui, que é gaúcho, relatou ter sofrido experiências desagradáveis em sua infância. Namíbia foi uma oportunidade de falar sobre isso de forma artística. Anunciação contatou Bauraqui para mostrar-lhe o texto e convidá-lo a atuar. Flávio demorou mais de um mês para responder – devido a sua imperícia com computadores na época, comentada com muitos risos – mas aceitou: “Há muitos anos não recebia um material cênico tão bom. Nos encontrávamos em círculos de discussão sobre o assunto e nos demos conta que só haviam negros lá. A vontade de discutir esse tema com uma diversidade maior de pessoas com certeza foi um ponto de partida”, conta o ator.
Questionados sobre como foi ter um diretor com bagagem tão densa de ator no comando, os dois elogiaram a performance de Lázaro Ramos: “Lazinho é muito sábio. Sorte do filho dele. Realmente, toda a vivência dele estava ali. Ele tem uma forma muito elegante de questionar sobre o significado das cenas. Certa vez, tentou nos fazer  funcionar relacionando a emoção da cena a uma canção. Quando não encontramos uma, ele nos mandou para fora do teatro para, em três minutos, compor uma música”, relata Bauraqui. Esta canção ainda hoje é usada na peça, cantada à capella.

Namíbia, Não! já recebeu o Prêmio Fapex de Dramaturgia e estará no Rio de Janeiro a partir de 19 de abril. Nesta ocasião também será lançado o texto de Aldri. No espetáculo, quatro cenas foram cortadas por Lázaro, a fim de dar mais ritmo à peça. Ao longo da entrevista os atores preocuparam-se em não entregar tanto os planos futuros, mas questionados sobre a possibilidade de transformar o texto em obra cinematográfica caíram numa gostosa gargalhada, dizendo “agora já era, vamos falar. Existem planos, sim”.

Fonte: iBahia

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